[Nota de autor: Todos os posts do blogue apresentam uma relativa continuidade na forma como é utilizada a vivência ficcional da personagem Tizé para a apresentação de informação científica.
Apesar disso, todos eles possuem a capacidade de serem consultados de forma independente e autónoma.]
Continuação de Gripe A e o Tizé
[A pandemia conhecida por Gripe Espanhola foi provocada pelo vírus Influenza A, sub-tipo H1N1, e resultou na morte de entre 50 a 100 milhões de pessoas em todo o planeta (os registos são muito pouco precisos).
Os sub-tipos deste género são categorizados de acordo com as proteínas presentes no exterior da cápsula proteica: a Hemaglutinina (H) e a Neuraminidase (N). A sua classificação numérica varia devido à existência de diferentes estruturas destas proteínas, que resultam das rápidas mutações virais.
Consultar http://en.wikipedia.org/wiki/Influenza_A_virus_subtype_H1N1].

A actual pandemia da gripe A é também provocada pelo vírus Influenza A sub-tipo H1N1, mas apresenta problemas de controlo acrescidos devido à forma como surgiu na natureza.
Este vírus resultou de uma permuta de genes, que lhe permitiu adquirir diferentes propriedades. Tem a sua origem, muito provavelmente (informação científica ainda incerta), na infecção simultânea de porcos com partículas virais originárias de seres humanos e aves. No interior destes hospedeiros temporários ocorreu uma “mistura” genética, resultando assim num novo vírus a que os seres humanos nunca tinham sido expostos anteriormente. ]
Apesar de inicialmente surgir na comunicação social a designação de gripe suína relativamente a este vírus, tal era uma imprecisão científica, que foi posteriormente corrigida.
─ Não te lembras de há uns tempos falarem da gripe das aves, e o que é que aquilo deu? È como te digo pá! ─ Diz o Zarolho.
[A gripe das aves, provocada também pelo vírus Influenza A, sub-tipo H5N1, continua actualmente a manter um potencial pandémico, mas as medidas de protecção e contenção accionadas foram em determinada medida, suficientes para evitar uma pandemia real até ao momento. No entanto, o risco de este vírus desenvolver a capacidade de “saltar” para a espécie humana, e ocorrer transmissão humano-humano, continuam bem presentes e por essa razão continuam a desenvolver-se um grande número de estudos laboratoriais para compreender as características deste vírus, e suas possíveis mutações.]
Tizé, talvez devido a uma pequena experiência já acumulada a procurar informação e a perceber que muitas vezes nem tudo é como parece, responde ao Zarolho:
─ Sinceramente não acredito nisso Zarolho. Acho que pode haver aí mais do que parece, senão não estavam há tanto tempo a falar sobre isso. Eu não estou assim tão confiante como tu!
[As razões das preocupações das organizações de saúde decorrem do facto de este vírus ser um novo vírus, para o qual ninguém no planeta possui imunidade natural (adquirimos imunidade natural quando já estivemos anteriormente expostos a um tipo especifico de vírus e conseguimos sobreviver). Isto significa que este vírus possui a potencialidade de infectar muito mais pessoas do que acontece com os surtos sazonais da gripe.
Pela mesma razão, não existem ainda testes laboratoriais suficientes para a compreensão deste vírus e quais as suas capacidades de mutação, o que levou todas as organizações de saúde a desenvolverem planos antecipados e coordenados de preparação e contenção da propagação do vírus, enquanto decorrem mais testes laboratoriais.
Até ao momento, a grande maioria das pessoas infectadas com este vírus apresentaram apenas sintomas moderados e foram capazes de recuperar sem medicação anti-viral. Apesar disso, a OMS continua a monitorizar de perto a evolução da pandemia de Gripe A, principalmente no interior dos grupos de risco (crianças, idosos, e pessoas com doenças crónicas pré-existentes). Consultar http://www.who.int/csr/disease/swineflu/frequently_asked_questions/about_disease/en/index.html (em inglês); http://www.who.int/csr/disease/swineflu/notes/h1n1_situation_20090724/en/index.html (em inglês)].
─ Oh Tizé, anda mas é jogar, que o Duarte está despachado! ─ Diz o Zarolho confiante na sua superioridade como jogador de Damas.
─ Vá, vamos lá ver isso! ─ Diz o Tizé enquanto regressa ao lugar de jogo, substituindo um abatido e derrotado Duarte.
O tema da gripe é logo abandonado, e o jogo de Damas é agora a principal preocupação dos nossos amigos.
Nessa mesma noite encontramos Tizé à frente do seu computador, a escrever no Google a palavra “Gripe A”, e a consultar os resultados que surgiram, que lhe provocam um certo desânimo: “Tanta coisa!”.

Como é evidente, o tema que surgiu enquanto jogava Damas esta tarde no parque, não mais lhe saiu da cabeça, pelo que a sua solução é a mesma de todos os dias: colocar no seu caderno alguma informação sobre um determinado tema.
Tizé acaba por aceder ao site da Direcção Geral de Saúde, onde encontra informação bem organizada, assim como possíveis medidas preventivas em formato .pdf que acaba por imprimir e guardar:
http://www.dgs.pt/ms/2/default.aspx?pl=&id=5509&acess=0&cpp=1
Quando lê estas informações, o seu pensamento imediatamente se direcciona para os seus filhos, questionando-se se estes possuem também estas indicações.
Assim, e dada a importância do assunto, resolve pegar no telefone:
─ Estou Cláudia? Estás bem? Estou-te a ligar (…)
─ Estou Alexandre? Estou-te a ligar, tal como liguei à tua irmã em Nova Iorque (…)

